Robertinho respirou fundo.
Um cientista doido não desiste.
Ele abriu o caderninho de novo.
E teve uma ideia ainda mais doida!
— Chiquinho! Vamos amarrar os gravetos!
Foi buscar um barbantinho vermelho que guardava no bolso do jaleco.
Amarrou um graveto no outro.
Croc croc. Amarrou mais.
Croc croc. E mais outro.
Chiquinho ajudou também, segurando um galho com o biquinho pequenino.
Aí Robertinho empilhou tudo com muito cuidado.
Devagar.
Devagar.
O monte foi crescendo de novo. Mas dessa vez, os gravetos ficaram juntinhos. Abraçadinhos. Nenhum caiu!
Robertinho deu um passo atrás.
O monte era grandão!
Era quase do tamanho de uma árvore pequena!
Aí chegou a noite da festa.
O céu ficou todo roxo e laranja.
As estrelinhas apareceram piscando.
Tin tin tin! Os sinos da festa chamaram todo mundo.
Robertinho pegou o palito de fósforo com a mãozinha firme.
Fez assim: frrrichhh!
A chama apareceu pequenininha.
Ele colocou bem devagarzinho no pé da fogueira.
E então…
Crac!
Crac crac!
A fogueira começou a crepitar!
As chamas foram subindo, subindo, subindo!
Vermelhas! Laranjas! Amarelas!
A fogueira mais doida do mundo inteiro estava acesa!
Chiquinho voou em círculos lá em cima, feliz da vida.
— Piu piu piu!
Todo o jardim clareou.
Os vizinhos vieram ver.
A vovó bateu palma.
O cachorrinho latiu de alegria.
E Robertinho ficou ali, com o chapéu torto na cabeça, olhando para a fogueira enorme que ele mesmo fez.
O calorzinho chegou mansinho no rosto dele.
A noite estava linda.
Robertinho sorriu.
Um cientista doido de verdade não tem medo de tentar de novo.
E quando a fogueira foi diminuindo, devagarinho, devagarinho…
Robertinho bocejou.
Fechou o caderninho.
E foi dormir com o coração cheio de coragem e de brasa quentinha.

