Ilustração da Parte 1 da história Milena e o Balão Joaninha

Milena e o Balão Joaninha — Parte 1

A Festa de São João da cidade de Rio Claro era a mais barulhenta, colorida e cheirosa do ano inteiro.

De longe já dava pra ouvir: bumm bumm bumm, o tambor da quadrilha. E cheirar: milho assado, quentão de gengibre, bolo de fubá saindo quente do forno.

Milena adorava a festa.

Mas adorava de longe.

Ela estava sentada num banquinho de madeira pintado de azul, bem pertinho da barraca de doces, com os joelhos apertados contra o peito e os cabelos presos em duas tranças enfeitadas com fitas amarelas. Seu vestidão xadrez vermelho e branco era o mais bonito que ela já tinha usado na vida. Mas de que adiantava o vestido bonito se ela ficava ali, quietinha, vendo os outros dançarem?

A mãe chamou uma vez.

O pai chamou duas vezes.

A prima Lúcia chegou correndo, com a saia rodando que nem um pião.

— Milena! Vem dançar com a gente!

Milena deu um sorrisinho de canto e balançou a cabeça.

— Não, obrigada. Eu prefiro ficar aqui.

A prima deu de ombros e saiu rodando de novo.

Milena suspirou.

Ela queria muito dançar. Muito mesmo. Lá no fundo do peito ela sentia aquele quentinho de querer, sabe? O pé até batia sozinho no chão: tum, tum, tum, no ritmo do forró.

Mas na hora de se levantar… a vontade sumia. E ficava no lugar dela aquele peso engraçado, aquela sensação de que todo mundo ia olhar pra ela e ela ia travar que nem um parafuso enferrujado.

Foi então que ela viu.

No céu, bem acima das bandeirinhas triangulares que tremulavam no vento, havia um balão.

Não era qualquer balão.

Era redondo, bem gordo e rechonchudo, vermelho como maçã. E tinha pintado nele sete pintinhas pretas, duas anteninhas minúsculas e dois olhinhos brilhantes com um sorrisinho no canto.

Era uma joaninha.

Um balão em formato de joaninha, enorme e fofinho, boiando no ar como se o céu fosse o lugar mais natural do mundo pra ele estar.

Milena abriu a boca.

Não saiu nenhum som. Só o olho arregalado mesmo.

O balão estava amarrado num poste perto da entrada da festa, com uma fita verde que balançava preguiçosamente. Mas enquanto Milena olhava, ele pareceu… virar. Como se estivesse olhando pra ela.

Ela piscou.

O balão estava na mesma posição de antes.

— Deve ter sido o vento, ela murmurou baixinho pra si mesma.

Mas aí aconteceu uma coisa que o vento definitivamente não faz.

O balão piscou.

Um dos olhinhos pintados fechou devagar e abriu de novo. Um piscadão de olho, amigável e atrevido.

Milena se levantou do banquinho.

Os pés foram sozinhos. Croc croc croc, os sapatinhos de couro amarelo no chão de terra batida.

Ela chegou perto do poste. O balão estava ali, balançando de leve, e de pertinho ele era ainda mais fofinho. As pintinhas pretas eram perfeitas. O sorrisinho então… parecia que ia rir de verdade a qualquer momento.

— Você… você piscou pra mim? Milena perguntou em voz bem baixa, com vergonha até de perguntar.

O balão não respondeu com palavras.

Mas a fita verde que o prendia ao poste… soltou.

Assim. Do nada. Sem vento, sem nada.

E o balão começou a subir.

Devagar. Como se estivesse esperando.

Milena, sem nem pensar, esticou a mão e agarrou a fita.

E foi aí que a magia começou de verdade.

Não foi ela que puxou o balão pra baixo.

Foi o balão que a puxou pra cima.

Os pés de Milena saíram do chão com um saltinho suave, como se ela tivesse pisado numa nuvem escondida. E antes que ela pudesse soltar a fita, já estava subindo, subindo, subindo, a festa lá embaixo ficando pequenininha, as bandeirinhas virando confete colorido, o cheiro de milho assado subindo junto com ela pelo ar quente da noite junina.

— Aaaaah! ela disse, bem baixinho, porque mesmo voando ela não conseguia gritar muito alto.

O balão joaninha deu o que pareceu ser uma risadinha. Um som leve, como bolhas de sabão estourando: plim plim plim.

E os dois sumiram no céu estrelado, enquanto lá embaixo o bumm bumm bumm do tambor continuava tocando, e ninguém ainda tinha percebido que Milena tinha ido.

Mas para onde exatamente o balão mágico estava levando ela?

Mas o que aconteceu depois? Continue a história na Parte 2…

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