A arena estava toda escura.
Nem um pedacinho de luz.
Os dinossauros murmuravam no escuro. Bumm bumm bumm. As caudas batiam nervosas no chão.
— Faísca! — chamou Rex Rimador com a voz enorme. — Acenda as tochas!
— Eu tento! Eu tento! — disse Faísca, assustada.
Ela coçou o nariz.
Esperou.
Esperou mais um pouquinho.
— Atchim!
Uma faíscazinha minúscula saiu e apagou na hora.
— Atchim!
Outra faíscazinha. Apagou também.
— Atchim atchim atchim!
Nada. Nada. Nada.
Faísca estava com o nariz tão cansado de espirrar que não conseguia mais soltar fogo.
E a arena continuou no escuro.
Tom ficou quietinho.
Ele estava no centro da arena, no escuro, cercado de dinossauros que ele mal enxergava.
Mas Tom era corajoso.
Então, em vez de ficar com medo, ele respirou fundo…
E começou a pensar.
O que faz luz?
O sol.
Mas o sol já tinha ido dormir.
O fogo.
Mas o fogo tinha apagado.
As estrelas!
Tom olhou para o alto da arena.
Bem no topo, onde não tinha teto, o céu estava cheio de estrelas brilhando.
E Tom teve uma ideia.
— Rex Rimador! — chamou Tom com a voz mais alta que conseguiu.
— Sim, Tom? — respondeu a voz grossa do dinossauro famoso.
— Se todo mundo olhar para cima, vai ter luz suficiente para eu dizer minha rima!
Houve um silêncio.
Depois Rex Rimador gargalhou.
— HA! Que ideia, pequeno corajoso! Todos olhem para cima!
E todos os dinossauros, um por um, viraram o pescoço enorme para cima.
A luz das estrelas caiu sobre a arena.
Não era muito. Era suavinha, prateada e bonita.
Mas dava para ver.
Tom ficou no centro da arena, com a luz das estrelas caindo nos seus cabelos bagunçados.
Ele respirou fundo.
E disse a sua rima.
— Eu tentei fazer uma rima muito boa, mas Faísca espirrou e apagou toda a minha memória! Espirrei junto sem querer, falei atchim pra caramba, e agora a única rima que eu sei é essa aqui, que é uma lambança!
Houve um segundo de silêncio.
Um segundo pequenininho.
E então…
Grunhido, o dinossauro mais sério de todos, soltou uma gargalhada que sacudiu as pedras da arena.
Bolinha rolou de lado de tanto rir e quase saiu da arena.
Faísca riu tanto que espirrou uma faísca enorme, que acendeu todas as tochas de uma vez só.
POF!
A arena ficou iluminada de novo.
E Rex Rimador ria tanto que as escamas roxas mudavam de cor: ficavam roxas, depois azuis, depois rosadas, depois roxas outra vez.
A arena inteira ria.
Os dinossauros batiam as caudas. PAM PAM PAM PAM PAM!
Tom também começou a rir.
Riu do seu próprio espirro imaginário.
Riu da lambança que tinha feito da rima.
Riu junto com os dinossauros enormes e maravilhosos ao redor.
Quando todo mundo parou de rir e enxugou as lágrimas dos olhos, Rex Rimador desceu devagar da pedra mais alta.
Ele caminhou até o centro da arena com passos lentos e poderosos.
TRONF. TRONF. TRONF.
Parou na frente de Tom.
Os dois se olharam.
Rex Rimador era enorme. Tom era pequenininho.
Mas os dois estavam sorrindo do mesmo jeito.
— Tom — disse Rex Rimador com a voz agora mais mansa e carinhosa. — Você fez algo que nenhum dinossauro fez hoje.
— Fiz uma rima ruim? — perguntou Tom.
— Não — disse Rex com um sorriso enorme. — Você fez todo mundo rir junto. E isso é melhor do que qualquer rima perfeita do mundo.
Rex Rimador pegou o Troféu de Pedra Brilhante com a patinha enorme e colocou com cuidado nas mãos de Tom.
A pedra era lisinha, quentinha e brilhava como um pedacinho de estrela.
Tom olhou para ela.
Era a coisa mais bonita que ele já tinha segurado.
Os dinossauros bateram as caudas uma última vez. PAM PAM PAM!
Grunhido acenou com a cabeça de um jeito respeitoso.
Bolinha mandou um beijão enorme pelo ar.
Faísca tentou mandar uma faísca de carinho e, claro, espirrou.
ATCHIM!
Todos riram de novo.
Tom segurou o troféu perto do peito e olhou para o céu cheio de estrelas lá em cima.
Ele estava feliz.
Tão feliz que a felicidade transbordava pelos olhinhos cansados.
E de repente…
Ele sentiu o chão balançar de um jeito suave.
Balançou, balançou, balançou…
E Tom abriu os olhos.
Ele estava na caminha dele, com o cobertor quentinho até o queixo.
A mamãe estava do lado, sacudindo o ombro dele de mansinho.
— Tom, você estava sorrindo enquanto dormia — disse ela. — Que sonho bom você teve?
Tom olhou para a mão.
Nela não havia nenhum troféu.
Mas havia uma pedrinha lisa e brilhante, que ele tinha achado perto da pedra redonda atrás da caverna.
Ele sorriu.
— Sonhei com dinossauros poetas, mamãe.
A mamãe deu um beijo na testa dele.
— Que maravilha. Agora feche os olhinhos.
Tom fechou.
E antes de adormecer de novo, sussurrou a rima mais engraçada do mundo:
— Boa noite, Rex. Boa noite, Bolinha. Boa noite, Faísca. Atchim!
E dormiu sorrindo até o sol aparecer.

