Era uma vez, num tempo muito, muito antigo…
Um tempo em que o chão era vermelho de terra quente, as árvores eram grandes como prédios, e os animais mais incríveis do mundo viviam por todo lado.
Era o tempo dos dinossauros!
E nesse tempo, havia um menininho chamado Tom.
Tom tinha cabelos bagunçados, joelhos sempre sujos e um sorriso que aparecia até quando ele estava dormindo.
Ele adorava correr, pular em poças de lama e imitar o barulho dos dinossauros.
ROAR! — gritava Tom, de braços abertos.
A mamãe ria. O papai ria. Até a lagartixa da pedra ria.
Mas Tom queria muito, muito mesmo, ver um dinossauro de verdade.
E um dia, enquanto brincava perto da grande pedra redonda atrás da caverna, Tom escorregou na lama…
Escorregou, escorregou, escorregou…
E foi parar num lugar que ele nunca tinha visto antes.
Era uma arena enorme.
As paredes eram feitas de pedra. O chão era de areia amarela. E ao redor da arena, sentados em pedras gigantes, havia dinossauros.
Dinossauros de todos os tipos!
Aqui um verde com manchas amarelas. Ali um azul com chifres. Acolá um pequenininho cor-de-laranja que espirrava faíscas pelo nariz.
Atchim! — o pequenininho espirrou.
E uma faísca voou pelo ar.
Tom abriu a boca bem grande.
Ele nunca tinha visto tanta coisa incrível ao mesmo tempo.
Mas antes que ele pudesse dizer qualquer coisa, uma voz enooooorme ecoou pela arena.
— BEM-VINDOS À ARENA DOS DINOSSAUROS POETAS!
Tom olhou para cima.
No topo da pedra mais alta, havia um dinossauro diferente de todos os outros.
Ele era grande, com escamas roxas e brilhantes, e usava uma coroa feita de folhas enormes na cabeça.
Era Rex Rimador.
O dinossauro mais famoso de todo o mundo pré-histórico.
— Aqui nesta arena — disse Rex Rimador com a voz grossa e animada — ninguém resolve nada com rugidos!
Os dinossauros ao redor bateram as caudas no chão. Pam pam pam!
— Aqui, a gente resolve tudo com rimas engraçadas!
Pam pam pam pam! As caudas bateram mais forte ainda.
Tom não entendia muito bem o que estava acontecendo.
Mas achou ótimo.
— Hoje — continuou Rex Rimador — qualquer um pode entrar na competição! Quem fizer a rima mais engraçada ganha o Troféu de Pedra Brilhante!
Tom olhou para o centro da arena.
Lá estava uma pedra linda, reluzente, que brilhava como se tivesse engolido um pedacinho de sol.
Um dinossauro verde deu um passo para frente. Era enorme. Tinha dentes grandes e olhos amarelos.
— Eu sou Grunhido — disse ele, bem sério. — E eu vou ganhar.
Depois veio um dinossauro azul com chifres. Era gordinho e simpático.
— Eu sou Bolinha — disse ele, sorrindo com todos os dentes. — E eu também vou ganhar.
Depois veio a pequenininha cor-de-laranja que espirrava faíscas.
— Atchim! Eu sou Faísca — disse ela. — E eu… atchim! …vou ganhar também!
Tom olhou para a pedra brilhante no centro da arena.
Ele respirou fundo.
E antes que pudesse pensar muito, seus pés já estavam caminhando para o centro.
— Eu também quero participar! — disse Tom com a voz mais corajosa que tinha.
Todos os dinossauros olharam para ele.
Houve um silêncio.
Depois Bolinha soltou uma risadinha.
Depois Faísca espirrou de novo.
Depois até Grunhido, o mais sério de todos, esboçou um sorriso pequenininho.
Rex Rimador olhou para Tom lá de cima.
— Um menininho na arena — disse ele devagar. — Isso nunca aconteceu antes.
Tom ficou parado, esperando.
Rex Rimador franziu as sobrancelhas.
Depois abriu um sorriso enorme, cheio de dentes brilhantes.
— Seja muito bem-vindo, Tom!
Os dinossauros bateram as caudas. Pam pam pam!
E a competição começou.
O primeiro foi Grunhido.
Ele ficou no centro da arena, abriu o peito e disse com voz grossa:
— Eu como pedra, eu como pau, eu como tudo que tem no quintal!
Os dinossauros riram. Ha ha ha!
O segundo foi Bolinha.
Ele rodou duas vezes no lugar, quase escorregou, se equilibrou, e disse:
— Minha barriga é tão redonda, que uma vez rolei morro abaixo e fui parar num lago com fundo!
Os dinossauros riram mais ainda. HA HA HA!
A terceira foi Faísca.
Ela coçou o nariz, fez uma carinha de quem ia espirrar, esperou, esperou…
— Atchim! — espirrou ela. — Meu espirro é tão quente que assei um ovo sem nem querer e comi com sal de presente!
AÍ os dinossauros riram tanto que a arena inteira tremeu.
HA HA HA HA HA!
Agora era a vez de Tom.
Ele estava no centro da arena.
Todos os dinossauros olhavam para ele.
Tom olhou para Grunhido, que parecia enorme.
Olhou para Bolinha, que estava sorrindo.
Olhou para Faísca, que coçava o nariz outra vez.
Olhou para Rex Rimador, lá no alto.
Ele pensou numa rima.
Pensou noutra.
Pensou noutra ainda.
E então… algo engraçado aconteceu na cabeça de Tom.
Uma ideia apareceu, pequenininha e brilhante, como uma estrelinha dentro do pensamento.
Tom abriu a boca.
Mas antes que ele dissesse uma única palavra…
Faísca soltou um espirro tão grande que apagou todas as tochas de fogo da arena!
E a arena inteira ficou no escuro.
Todos os dinossauros gritaram ao mesmo tempo:
— OOOOOH!
Tom ficou quietinho no escuro, com a ideia ainda piscando na cabeça.
E pensou: — E agora?
Mas o que aconteceu depois? Continue a história na Parte 2…
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