Ilustração da Parte 2 da história Nino e o Robô Sussurro

Nino e o Robô Sussurro — Parte 2

Lara olhava para Sussurro com os olhos brilhando de esperança.

Sussurro olhava para Lara com os olhos azuis piscando devagar.

Nino segurou a respiração do outro lado da janela.

Foi o silêncio mais longo da história da Rua das Nuvens Pequenas.

E então Sussurro disse, com uma voz mais baixa do que nunca:

— Não sei.

Lara franziu o nariz.

— Não sabe mesmo?

— Não sei — repetiu Sussurro. E a anteninha ficou quietinha, sem tremer nem um milímetro.

Lara suspirou, um pouco decepcionada. Mas logo sorriu e foi brincar com a bola de luz no jardim.

Nino saiu pela porta dos fundos e chegou até Sussurro.

O robô virou a cabecinha.

— Guardei — disse ele, simplesmente.

Nino sentiu aquele sorriso lento de novo, o que chegava devagar como o sol da manhã.

— Guardou — confirmou ele.

— Doeu um pouco — disse Sussurro. — Ficar calado quando se sabe algo é estranho.

— Eu sei. Mas sabe o que vai acontecer amanhã?

— O quê?

— Você vai ver o rosto da Lara quando ela abrir o presente. E esse rosto vai valer mais do que qualquer coisa que você poderia ter falado hoje.

A anteninha tremeu de um jeito diferente. Mais suave. Mais fundo.

Na sexta-feira, toda a vizinhança se reuniu no jardim de teto da Lara para o aniversário.

Havia balões cor de lavanda, limonada com hortelã e um bolo com sete velas douradas.

Nino e Sussurro ficaram num cantinho, do jeito que Nino gostava.

Quando chegou a hora dos presentes, a mãe de Lara trouxe a caixa com o laço vermelho.

Lara rasgou o papel devagarinho, como quem saboreia cada segundo.

E quando viu o gato de pelúcia laranja com o nome bordado na orelha, ela gritou:

— Biscoito!

E abraçou o bicho tão forte que a pelúcia quase desapareceu dentro do abraço.

Sussurro ficou olhando.

A luz dos olhos dele ficou mais brilhante do que Nino jamais tinha visto. Uma cor nova, entre azul e dourado, como o céu quando o sol está se despedindo.

— É isso — disse o robô, com a voz mais baixa de todas. — É isso que você quis dizer.

— É — disse Nino.

— Guardar o segredo foi como… plantar alguma coisa.

Nino olhou para o amigo pequeno e metálico e pensou que talvez ele fosse o melhor aluno que alguém poderia ter. Não porque aprendia rápido. Mas porque aprendia de verdade.

Naquela noite, de volta para casa, enquanto as bicicletas voavam baixinho lá fora e a cidade do futuro piscava suas luzes gentis, Nino preparou a cama e Sussurro ficou na mesinha do lado, com a anteninha inclinada para perto.

— Nino?

— Hm?

— Posso te contar um segredo?

Nino se virou, curioso.

— Pode.

Sussurro aproximou a cabecinha do ouvido de Nino e disse, bem baixinho, com aquela voz de nome já explicado:

— Acho que você é o melhor professor que um robô poderia ter. Mas isso é segredo.

Nino riu. Um riso macio, de barriga cheia e coração quente.

— Prometo guardar — ele disse.

E fechou os olhos.

Lá fora, a cidade respirava devagar. Os jardins do teto balançavam com o vento morno. E Sussurro ficou de guarda na mesinha, com os olhos apagados em dourado suave, guardando em silêncio todos os segredos bons do mundo.

Até que o sono chegasse, macio como pelúcia, para cobrir tudo com seu manto quieto.

Zzzzz…

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