Lá no alto de uma montanha cor de mel,
onde o vento cantava e a lua tinha véu,
vivia uma princesa de nome especial:
Dara Bum-Bum, filha do trovão real.
Ela não usava coroa de ouro fino.
Usava uma tiara feita de um raio pequenino.
E no lugar de jardim com flores e aromas,
Dara tinha um canteiro cheio de trovoadas e bromas.
Isso mesmo, meu bem, não se espante não.
Dara plantava sementes de trovão.
As sementes eram pequenas, escuras e redondas,
quentes como brasa, elétricas como ondas.
Dara as guardava num pote de barro antigo,
herdado da avó com carinho e abrigo.
— Estas sementes guardam a voz do céu — dizia a avó.
— Plante com coragem, minha Dara. Só assim elas vão brotá-ló.
E toda manhã, com os pés na terra molhada,
Dara ia ao seu canteiro, de enxada e de espada.
Não de espada de guerra, não se assuste, meu bem.
Era espada de cipó, que cortava o caém.
Ela cavava os buracos no chão com cuidado,
colocava cada semente no lugar escolhido.
E esperava.
Mas as sementes não brotavam.
Os dias passaram, as chuvas chegaram e foram.
As sementes ficaram no chão e não floresceram.
Dara olhou pro canteiro e sentiu um aperto.
— Será que eu fiz errado? Será que o meu jeito não é o certo?
O vento passou de mansinho e sussurrou entre as árvores:
— Dara Bum-Bum, o trovão não cresce com medo.
Ele precisa de algo que você guarda em segredo.
Dara coçou a cabeça.
O que ela guardava em segredo?
Foi então que um passarinho pousou no seu ombro,
de penas azuis e canto que parecia um assombro.
— Canta, Dara. Canta pro chão. O trovão acorda com a voz do coração.
Dara nunca tinha cantado antes.
Tinha vergonha. Tinha medo de errar as notas.
Mas olhou pras sementes adormecidas
e respirou fundo, bem fundo, até encher as costelas.
E aí… ela abriu a boca.
Saiu um som pequeno primeiro, tímido como um grilo.
Depois foi crescendo, crescendo, até virar um brilho.
E o chão começou a tremer de leve.
Bum. Bum. Bum.
Algo estava acordando lá embaixo da terra.
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