Ilustração da Parte 2 da história Tico e o Castelo que Espirrava Confete

Tico e o Castelo que Espirrava Confete — Parte 2

A portinha com a maçaneta de estrela abriu completamente devagar.

Do outro lado havia uma escadinha de pedra que subia, subia, subia em espiral até sumir lá no alto.

Tico deu um passo. Depois outro. Depois mais um.

As paredes da escada tinham desenhos esculpidos: sóis, luas, nuvens e muitos pontos de interrogação.

— Que escada cheia de perguntas! — disse Tico.

AAAA… ATCHIM-PUF!

Confete desceu escorregando pelas paredes como uma chuva alegre e Tico riu subindo os degraus de dois em dois.

Lá no topo havia uma salinha redonda com uma janela enorme. Pela janela dava para ver toda a vila lá embaixo, pequenininha, com as casinhas de telhado vermelho e a praça com o coreto.

No meio da salinha havia uma pedra diferente de todas as outras. Ela era levinha azul-clara e tinha escrito nela, em letras antigas e tortas:

Eu sou o Coração do Castelo. Adoro perguntas. Cada pergunta me faz tão feliz que eu espirro de alegria!

Tico leu devagar, com o dedo acompanhando as letras.

Depois ficou em silêncio pensando.

Então ele se ajoelhou pertinho da pedra azul e perguntou com a voz mais gentil que ele tinha:

— Mas você não fica sozinho aqui, Coração? Todo mundo tem medo de subir até você?

A pedra brilhou uma vez.

As paredes esquentaram um pouquinho, como um abraço.

E então veio o espirro mais lindo de todos.

AAAAAAAA… ATCHIM-PUF!

O confete que saiu dessa vez era diferente: cada papeizinho tinha um coraçãozinho desenhado. Corações cor de rosa, de vermelho, de dourado. Eles caíram devagar, girando no ar, pousando em Tico como pétalas.

E Tico entendeu.

O castelo não estava sozinho agora. Ele tinha recebido uma visita. E estava feliz.

Tico ficou ali um tempão. Fez mais perguntas. Sobre as nuvens, sobre os peixes, sobre por que os gatos dormem tanto.

Cada pergunta: um espirro. Cada espirro: mais confete e mais risada.

Quando o sol começou a ficar laranjado e a vila lá embaixo acendeu as primeiras luzes das janelas, Tico desceu a escadinha com os bolsos cheios de confete colorido.

Na saída, ele virou para o castelo e acenou.

— Até logo, Coração! Amanhã eu volto com mais perguntas!

O castelo tremeu mansinho.

AAAA… atchim.

Um espirrozinho pequeno e suave, cheio de carinho, soltou apenas três papeizinhos dourados que voaram até a mão de Tico como um tchau.

Tico andou de volta pela estrada de paralelepípedo com o coração tão cheio de alegria que parecia que ia estourar confete por ele também.

Em casa, a vovó abriu a porta e achou a cabeça do neto coberta de papeizinhos coloridos.

— Então você conheceu o Coração do Castelo?

— Sim! — disse Tico, jogando um punhado de confete para o alto. — E ele adora perguntas, igual a mim!

A vovó deu uma risada gostosa e ajudou Tico a tirar os confetes do cabelo, um por um, até que os olhinhos dele fossem fechando, fechando, fechando…

E Tico dormiu sorrindo, sonhando com torres de mel, escadas em espiral e a nuvem mais colorida e alegre do mundo inteiro.

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