Ilustração da Parte 1 da história Tico e o Castelo que Espirrava Confete

Tico e o Castelo que Espirrava Confete — Parte 1

No alto de uma colina verde e redonda, havia um castelo diferente de todos os outros.

Ele tinha torres cor de mel, uma porta enorme de madeira escura e uma bandeirinha amarela que ficava sempre tremulando no vento.

Mas o que fazia esse castelo ser especial mesmo era um segredo que os moradores da vila guardavam com um sorriso no canto da boca.

Tico sabia desse segredo.

Tico tinha cinco anos, cabelos bagunçados, um casaco vermelho com bolsos cheios de bolotas e pedrinhas, e uma coisa que nunca parava: a boca.

— Por que a lua fica redonda? Por que as minhocas não têm perna? Por que o leite esquenta e a chuva esfria?

Pergunta ia, pergunta vinha. Todo dia, o tempo todo.

Naquele dia, Tico acordou bem cedo, colocou o casaco vermelho, tomou seu mingau de aveia com mel e anunciou:

— Hoje eu vou visitar o castelo.

A vovó sorriu e assoou o nariz no aventalzinho dela.

— Então leva um lenço, meu bem. Pode ser que você precise.

Tico achou isso muito estranho. Mas enfiou o lenço no bolso e saiu pulando pela estrada de paralelepípedo.

A subida até o castelo era longa, mas Tico nem percebeu. Ele foi contando formigas no caminho, seis formigas! E encontrou uma pedra que parecia um sapo dormindo.

Quando chegou à porta enorme, ele bateu três vezes.

Pom. Pom. Pom.

A porta abriu devagar, com um rangido longo: criiiiiii.

Dentro do castelo estava vazio, mas as paredes eram cheias de janelas e as janelas deixavam entrar raios de luz dourada que dançavam no chão de pedra.

Tico olhou para tudo com os olhos bem abertos.

— Que castelo bonito! — ele disse. — Mas… por que as paredes são tão grossas?

E então aconteceu.

O castelo inteiro tremeu um pouquinho. Só um tiquinho. Um som começou a crescer lá do fundo das pedras, como se algo estivesse se preparando…

AAAA… AAAAA… ATCHIM-PUF!

Uma nuvem enorme de confete colorido explodiu de todos os cantos do castelo ao mesmo tempo! Azul, rosa, verde, amarelo, roxo, laranja!

Os papeizinhos rodopiaram no ar, caíram devagar, pousaram no cabelo de Tico, no seu nariz, nas suas mãos abertas de espanto.

Tico ficou parado por três segundos inteiros.

Depois deu uma gargalhada que ecoou por todas as torres.

— O castelo espirrooooou!

Ele pegou um punhado de confete no ar e jogou para cima outra vez. Então olhou para as paredes com um sorriso enorme e perguntou:

— Tudo bem! Eu entendi! Você espirra confete quando alguém faz uma pergunta! Mas… por que você faz isso?

As paredes voltaram a tremer.

AAAA… AAAAA…

Tico segurou o lenço na frente do nariz por instinto.

ATCHIM-PUF!

Mais confete! Dessa vez ainda mais. Papeizinhos dourados e prateados se misturaram aos coloridos e o castelo inteiro brilhou como uma festa.

Tico riu tanto que precisou sentar no chão de pedra.

E foi então que ele percebeu: havia uma porta no fundo do salão que ele não tinha visto antes. Uma porta pequena, com uma maçaneta brilhante em formato de estrela.

Ela estava se abrindo devagarzinho, sozinha.

O que haveria do outro lado?

Mas o que aconteceu depois? Continue a história na Parte 2…

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