Ilustração da Parte 1 da história O Gigante Que Perdeu Seu Abraço

O Gigante Que Perdeu Seu Abraço — Parte 1

No reino de Pedra Mole, onde as torres eram feitas de pedra cinza e as janelas brilhavam como estrelas amarelas, vivia um gigante chamado Manso.

Manso tinha mãos grandes como portas, pés redondos como rodas de carroça e um coração quentinho como pão saído do forno.

Mas naquele dia, algo estava errado.

Manso estava sentado no meio da floresta, com os joelhos dobrados e o rosto escondido entre as mãos enormes.

— Perdi meu abraço — ele resmungou, com uma voz grossa que fazia as folhas tremerem. — Perdi e não sei onde está.

Os passarinhos pararam de cantar. O vento parou de soprar. Até o riacho fez uma pausa no seu barulhinho de água.

Foi então que apareceu Leco.

Leco era um menino pequeno, de cabelos bagunçados e joelhos sempre sujos de terra. Ele usava um capote vermelho remendado e carregava nas costas uma mochila cheia de coisas que ele mesmo não sabia ao certo o que eram.

Leco parou na frente do gigante e olhou para cima. Muito para cima.

— Por que você está triste, Manso? — perguntou ele, sem medo nenhum.

— Porque perdi meu abraço — o gigante repetiu. — Todo gigante tem um abraço guardado. O meu some há muito tempo. Agora quando abro os braços… nada acontece. Fica só o ar.

Leco coçou a cabeça. Depois coçou de novo.

— Um abraço pode se perder?

— O meu se perdeu — Manso suspirou, e o sopro derrubou três folhas de uma árvore próxima.

Leco pensou. Pensou muito. Então bateu no chão com o pé.

— Vamos procurar!

Manso ergueu o rosto. Tinha uma lágrima grande como uma tigela escorregando pelo nariz.

— Você acha que é possível?

— Nunca procurei um abraço antes — disse Leco, sorrindo. — Mas também nunca tinha procurado uma estrela perdida, e achei uma vez dentro de um buraco de tatu.

Manso deu uma risadinha baixinha. Só uma. Mas foi suficiente para que os passarinhos voltassem a cantar.

Os dois caminharam juntos pela floresta. Leco na frente, dando passos pequenos. Manso atrás, tentando não esmagar as flores com os pés enormes.

Eles perguntaram à coruja, que disse não saber nada. Perguntaram ao urso, que apenas bocejou. Perguntaram à raposa, que deu uma piscadela misteriosa e apontou para uma direção:

— Procurem onde as risadas antigas dormem.

Leco franziu o nariz.

— Onde as risadas antigas dormem?

A raposa já tinha sumido entre as árvores.

Mas Leco lembrou de algo. Lá no fundo da mochila, debaixo de um botão azul e de um pedaço de barbante, havia uma caixinha de madeira que ele havia encontrado numa feira do reino.

Ele nunca tinha conseguido abri-la.

Seria possível que as risadas antigas estivessem ali dentro?

Mas o que aconteceu depois? Continue a história na Parte 2…

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