No reino de Pedra Mole, onde as torres eram feitas de pedra cinza e as janelas brilhavam como estrelas amarelas, vivia um gigante chamado Manso.
Manso tinha mãos grandes como portas, pés redondos como rodas de carroça e um coração quentinho como pão saído do forno.
Mas naquele dia, algo estava errado.
Manso estava sentado no meio da floresta, com os joelhos dobrados e o rosto escondido entre as mãos enormes.
— Perdi meu abraço — ele resmungou, com uma voz grossa que fazia as folhas tremerem. — Perdi e não sei onde está.
Os passarinhos pararam de cantar. O vento parou de soprar. Até o riacho fez uma pausa no seu barulhinho de água.
Foi então que apareceu Leco.
Leco era um menino pequeno, de cabelos bagunçados e joelhos sempre sujos de terra. Ele usava um capote vermelho remendado e carregava nas costas uma mochila cheia de coisas que ele mesmo não sabia ao certo o que eram.
Leco parou na frente do gigante e olhou para cima. Muito para cima.
— Por que você está triste, Manso? — perguntou ele, sem medo nenhum.
— Porque perdi meu abraço — o gigante repetiu. — Todo gigante tem um abraço guardado. O meu some há muito tempo. Agora quando abro os braços… nada acontece. Fica só o ar.
Leco coçou a cabeça. Depois coçou de novo.
— Um abraço pode se perder?
— O meu se perdeu — Manso suspirou, e o sopro derrubou três folhas de uma árvore próxima.
Leco pensou. Pensou muito. Então bateu no chão com o pé.
— Vamos procurar!
Manso ergueu o rosto. Tinha uma lágrima grande como uma tigela escorregando pelo nariz.
— Você acha que é possível?
— Nunca procurei um abraço antes — disse Leco, sorrindo. — Mas também nunca tinha procurado uma estrela perdida, e achei uma vez dentro de um buraco de tatu.
Manso deu uma risadinha baixinha. Só uma. Mas foi suficiente para que os passarinhos voltassem a cantar.
Os dois caminharam juntos pela floresta. Leco na frente, dando passos pequenos. Manso atrás, tentando não esmagar as flores com os pés enormes.
Eles perguntaram à coruja, que disse não saber nada. Perguntaram ao urso, que apenas bocejou. Perguntaram à raposa, que deu uma piscadela misteriosa e apontou para uma direção:
— Procurem onde as risadas antigas dormem.
Leco franziu o nariz.
— Onde as risadas antigas dormem?
A raposa já tinha sumido entre as árvores.
Mas Leco lembrou de algo. Lá no fundo da mochila, debaixo de um botão azul e de um pedaço de barbante, havia uma caixinha de madeira que ele havia encontrado numa feira do reino.
Ele nunca tinha conseguido abri-la.
Seria possível que as risadas antigas estivessem ali dentro?
Mas o que aconteceu depois? Continue a história na Parte 2…
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