Era uma tarde de céu cor de pêssego quando Lola ouviu um barulho muito estranho vindo do jardim.
Hic!
Ela olhou para os lados. Nada.
Hic! Hic!
Então Lola abaixou bem devagarzinho… e lá estava, escondida entre duas flores amarelas, uma fada pequenininha.
Ela cabia na palma de uma mão. Tinha asas finas como papel de seda, um vestido cor de hortelã e o cabelo todo bagunçado. E cada vez que soluçava, saía uma bolinha de luz da sua boca e subia, subia, subia… até sumir no ar.
Hic!
Mais uma bolinha. Rosa dessa vez.
— Oi — disse Lola, bem baixinho para não assustar.
A fadinha deu um pulinho de susto, mas não foi embora.
— Oi — ela respondeu, com uma vozinha fininha como o som de um sino de brinquedo. — Me chamo Hic-Hic. Pelo menos é como todo mundo me chama agora.
— Por que Hic-Hic?
— Porque eu não consigo parar de — hic! — soluçar!
Lola sentou na grama e olhou para a fadinha com muito carinho.
— Desde quando você está assim?
A fada Hic-Hic cruzou os bracinhos e suspirou.
— Desde esta manhã. Eu estava voando sobre a rua quando vi uma criança triste, e fiquei tão sentida que engoli um suspiro rápido demais. E aí começou. Hic!
Outra bolinha de luz, agora azul, subiu no ar.
— Você sabe o que cura? — perguntou Lola.
A fada balançou a cabeça.
— Gentileza — ela respondeu. — Mas não a minha. Precisa ser de outra pessoa. Cada gesto bonito que alguém faz… faz uma das bolinhas desaparecer. Quando todas sumirem, o soluço passa.
Lola olhou para o céu. Havia pelo menos sete bolinhas flutuando ali em cima, faíscando como estrelinhas de dia.
— Então vamos resolver isso — disse ela, com um sorriso.
E pegou a fadinha com cuidado no bolso do casaco, bem quentinho, e saiu pela rua com passos de quem tem uma missão.
A primeira parada foi na casa da vizinha dona Floripes, que estava tentando regar as plantas mas o regador era pesado demais.
— Posso ajudar? — ofereceu Lola.
Dona Floripes sorriu com os olhos inteiros.
Hic!
Uma bolinha azul piscou… e sumiu.
Depois Lola viu o irmãozinho do Theo, que estava no meio-fio procurando alguma coisa com a carinha preocupada.
— O que você perdeu?
— Meu carrinho vermelho — ele disse.
Lola olhou, olhou, e achou o carrinho debaixo de uma folha grande.
Hic!
Mais uma bolinha. Foi embora.
O bolso de Lola brilhou um pouquinho. A fada Hic-Hic estava feliz.
Mas quando viraram a esquina, Lola parou.
No banco da praça, havia uma senhorinha com um embrulho no colo. Ela olhava para todos os lados com um olhar de quem estava esperando alguém que não vinha.
Lola foi até ela… mas antes de chegar, o céu ficou mais escuro e começou a chover.
As bolinhas restantes brilharam todas ao mesmo tempo, bem forte, como se dissessem: corre, Lola, corre!
Mas o que aconteceu depois? Continue a história na Parte 2…
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