A chuva caía fininha, como um sussurro.
Lola correu até a senhorinha no banco e abriu o casaco sobre ela, como se fosse um guarda-chuva improvisado.
— Não fique molhada — disse Lola.
A senhorinha olhou para ela com os olhos brilhando.
— Que menina gentil — ela murmurou. — Estava tão sozinha aqui…
Hic!
Dentro do bolso, a fada Hic-Hic deu um pulo. E então… silêncio.
Nenhum novo soluço.
Lola abriu o bolso bem devagarzinho. A fadinha estava lá, com as asas abertas, o cabelo arrumadinho e um sorriso enorme no rosto pequenininho.
— Passou? — perguntou Lola.
— Passou! — respondeu Hic-Hic, e sua vozinha de sino soou mais clara do que nunca.
As últimas bolinhas de luz subiram juntas no céu cor de chuva, rosa, azul e dourada, e foram sumindo devagarzinho, como se fossem dormir.
A senhorinha não viu a fada. Mas sentiu algo quentinho no ar, como um abraço de longe.
A chuva parou.
Lola e Hic-Hic voltaram para o jardim de flores amarelas.
— Obrigada — disse a fada, pousando na pétala mais macia. — Você foi muito corajosa.
— Eu fui só gentil — respondeu Lola.
Hic-Hic sorriu.
— É exatamente a mesma coisa.
Depois a fadinha bocejou, um bocejo pequenininho como o de um gatinho, e piscou para Lola.
— Agora vai dormir. Quem espalha gentileza o dia todo merece o sono mais gostoso do mundo.
Lola voltou para dentro de casa com as bochechas coradas e o coração quentinho.
Tomou banho, colocou o pijama, se deitou na caminha.
E enquanto fechava os olhos, pareceu ver, bem longe, uma bolinha de luz dourada flutuando devagar pela janela…
Como se a fada Hic-Hic estivesse mandando um beijo de boa noite.
E Lola dormiu. Com um sorriso no rosto e paz no coração.
