Ilustração da Parte 2 da história Lola e a Fada Hic-Hic

Lola e a Fada Hic-Hic — Parte 2

A chuva caía fininha, como um sussurro.

Lola correu até a senhorinha no banco e abriu o casaco sobre ela, como se fosse um guarda-chuva improvisado.

— Não fique molhada — disse Lola.

A senhorinha olhou para ela com os olhos brilhando.

— Que menina gentil — ela murmurou. — Estava tão sozinha aqui…

Hic!

Dentro do bolso, a fada Hic-Hic deu um pulo. E então… silêncio.

Nenhum novo soluço.

Lola abriu o bolso bem devagarzinho. A fadinha estava lá, com as asas abertas, o cabelo arrumadinho e um sorriso enorme no rosto pequenininho.

— Passou? — perguntou Lola.

— Passou! — respondeu Hic-Hic, e sua vozinha de sino soou mais clara do que nunca.

As últimas bolinhas de luz subiram juntas no céu cor de chuva, rosa, azul e dourada, e foram sumindo devagarzinho, como se fossem dormir.

A senhorinha não viu a fada. Mas sentiu algo quentinho no ar, como um abraço de longe.

A chuva parou.

Lola e Hic-Hic voltaram para o jardim de flores amarelas.

— Obrigada — disse a fada, pousando na pétala mais macia. — Você foi muito corajosa.

— Eu fui só gentil — respondeu Lola.

Hic-Hic sorriu.

— É exatamente a mesma coisa.

Depois a fadinha bocejou, um bocejo pequenininho como o de um gatinho, e piscou para Lola.

— Agora vai dormir. Quem espalha gentileza o dia todo merece o sono mais gostoso do mundo.

Lola voltou para dentro de casa com as bochechas coradas e o coração quentinho.

Tomou banho, colocou o pijama, se deitou na caminha.

E enquanto fechava os olhos, pareceu ver, bem longe, uma bolinha de luz dourada flutuando devagar pela janela…

Como se a fada Hic-Hic estivesse mandando um beijo de boa noite.

E Lola dormiu. Com um sorriso no rosto e paz no coração.