Ilustração da Parte 2 da história A Princesa que Plantava Trovões

A Princesa que Plantava Trovões — Parte 2

O chão tremeu de novo.
Bum. Bum. Bum.

Dara não parou de cantar.

A voz dela subia como fumaça de fogueira,
cálida, dourada, verdadeira.

E então, brotou.

Uma plantinha pequenina, de folhas cor de nuvem,
furou a terra e se abriu devagarzinho.

Depois outra. E mais outra. E mais uma ali.

Cada semente que Dara tinha plantado com coragem
agora subia como um trovão em viagem.

Mas as plantas não rugiam como raios zangados.
Não.

Elas cantavam.

Cada folha era uma nota musical.
Cada galho era um acorde especial.

Quando o vento passava entre elas, fazia:
tin-tin-bum-bum-tlin-tlin-rá!

Um jardim musical nasceu no alto da montanha.
Uma coisa linda, diferente, estranha.

Dara parou de cantar e olhou ao redor com os olhos arregalados.
— É meu — ela disse baixinho.
— É meu jardim de trovão.

O passarinho azul pousou numa das plantas cantantes
e gorjeou feliz, batendo as asas vibrantes.
— Você plantou com as mãos, Dara.
Mas o que fez brotar foi a sua coragem de cantar.

Dara sorriu.

Aí ela entendeu o segredo da avó.
Coragem não é só não ter medo, não.
Coragem é abrir a boca quando a voz treme um pouquinho,
é plantar semente no escuro e acreditar no caminhinho.

Naquela noite, a montanha inteira ouviu
um som suave vindo do jardim:
bum-tin-bum-tin-bum…

Era o trovão dormindo em forma de canção.

E lá em cima, deitada na grama macia,
com o céu cheio de estrelas e de magia,
Dara Bum-Bum fechou os olhinhos devagar.

O vento passou de mansinho, as folhas tintilinaram,
e todos os trovões do jardim sussurraram:
— Dorme, Dara. Dorme bem.
Você plantou bonito, e a música também.

E ela dormiu.
Com um sorriso no rosto
e o coração cheio de trovões mansos,
desses que não assustam,
desses que embalam.

Bum… bum… bum…

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