Ilustração da Parte 2 da história Pip e a Ponte Lá-Lá

Pip e a Ponte Lá-Lá — Parte 2

A Dona Mafalda cantou bem alto e bem errado: lá-lá-lá-LÁ-LÁ!

Os irmãos Boti cantaram todos juntos e todos tortos: tim-tim-bom-bom-tim!

O velho Turu cantou bem baixinho, quase um ronronado: mmmmm-mmm-mmm.

E a pequena Lilu fez os sons dela: pom-pom, ti-ri-ri, pom!

E Pip?

Pip fechou os olhos, respirou fundo e cantou do fundo do coração uma melodia que ele nunca tinha cantado antes. Ela simplesmente saiu, como se sempre estivesse esperando lá dentro.

Lá-lá-lá, lá-lá, lá-lá-lá…

As vozes misturaram no ar como fios coloridos se entrelaçando.

E então…

A água do rio começou a brilhar.

Plim, plim, plim.

Uma luz dourada apareceu bem no meio. Depois outra. E mais uma.

Devagarzinho, como se alguém estivesse pintando no ar, uma ponte foi surgindo. Tinha corrimão de pedra rosada. Tinha flores brancas crescendo nos lados. Tinha um brilho suave, como estrelas perto da terra.

— A ponte! — gritou Pip, abrindo os olhos.

— Apareceu de verdade! — a Dona Mafalda cobriu a boca com as mãos.

Todos ficaram parados, olhando, com o coração batendo: dum, dum, dum.

Pip deu o primeiro passo.

A ponte estava firme sob os seus pés. Era real.

Ele caminhou devagar, sentindo o vento que vinha da floresta azul, que cheirava a terra molhada e folha verde e algo doce que ele não sabia nomear.

Do outro lado, os pássaros cor de laranja cantaram: pi-pi-ríu!

Pip chegou à floresta e tocou o tronco de uma árvore azul. Era macio como veludo.

Depois ele voltou pela ponte e olhou para os amigos na outra margem.

— Funciona! — gritou, rindo.

Um por um, todos atravessaram.

Lá na floresta, sentaram numa pedra grande e macia de musgo. O céu estava quase roxo, cheio de estrelas aparecendo uma a uma.

— Por que a ponte precisa de vozes diferentes? — Lilu perguntou, com a voz de criança que acabou de aprender a fazer perguntas.

O velho Turu sorriu.

— Porque uma só voz não faz uma ponte. Faz só um fio. Mas muitas vozes juntas, cada uma do seu jeito, tecem algo que ninguém consegue sozinho.

Pip olhou para o rio lá embaixo, brilhando na noite que chegava.

Ele pensou que havia muitas pontes no mundo que funcionavam assim. Pontes entre pessoas. Pontes entre corações. Pontes que só aparecem quando todo mundo canta junto, mesmo que ninguém cante igual.

E com esse pensamento quentinho dentro do peito, Pip fechou os olhos na pedra macia, com o som do rio ao longe e os pássaros cor de laranja cantando baixinho.

Tin-tin, pi-ríu, mmm-mmm.

E dormiu sorrindo.

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