Bem no alto de uma colina verde, onde o vento cheirava a terra molhada e flores roxas cresciam entre as pedras, vivia Iori.
Iori tinha cabelos cacheados e olhos curiosos que não tinham medo de quase nada. Só de uma coisa: os trovões.
Bum. Bum. BUUUM.
Sempre que o céu roncava assim, Iori se encolhia debaixo do cobertor e tapava os ouvidos com as mãos.
Mas um dia, algo diferente aconteceu.
Quando o trovão veio — bum-bim, bum-bim — parecia ter um ritmo. Uma batida. Como uma música.
Iori espiou pela janela com um olho só.
No jardim, bem no centro das flores, havia um tamborzinho pequeno. Redondo, marrom, com bolinhas douradas na borda. Ninguém sabia de onde tinha vindo.
Iori desceu as escadas bem devagarinho, abriu a porta e foi até ele.
— Você é meu? — perguntou baixinho.
O tamborzinho não respondeu com palavras. Mas quando Iori tocou a pele dele com um dedo, saiu um som: bum-bim.
Igualzinho ao trovão!
Iori sorriu pela primeira vez num dia de chuva.
Foi aí que as nuvens desceram. Não muito. Só um pouquinho, como se quisessem chegar mais perto para conversar.
Eram nuvens antigas, grandes e fofinhas, com bordas cor de mel.
— Então você encontrou o tamborzinho — disse uma delas, com voz grossa e calma, igual a um avô contando história.
Iori olhou para cima sem se assustar.
— Ele é seu? — perguntou.
— É de quem ouve — respondeu a nuvem.
E antes que Iori pudesse perguntar mais alguma coisa, o céu fechou, a chuva começou a cair, e as nuvens subiram de volta.
Mas o tamborzinho ficou.
E com ele, uma pergunta enorme dentro do peito de Iori: o que as nuvens antigas queriam ensinar?
Mas o que aconteceu depois? Continue a história na Parte 2…
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