Pipo viu Fofum subindo e ficou com o coraçãozinho apertadinho.
— Espera! — ele chamou, bem baixinho.
Fofum parou. Olhou pra baixo com os olhinhos de nuvem.
Pipo sorriu e esperou. Não correu. Não gritou. Só esperou.
E então, devagarinho, Fofum voltou.
Fof… fof… fof…
Ela pousou pertinho de Pipo, como uma almofada flutando no ar.
Pipo estendeu a mãozinha com cuidado.
Fofum encostou nela. Era macia, fresquinha e gostosa como brisa de manhã.
— Você é tímida igual a mim — disse Pipo, sorrindo.
Fofum fez fof fof fof, que era o jeito dela de dar risada.
E aí os dois brincaram. Devagarzinho. Do jeito dos dois.
Fofum fazia cócegas na orelha de Pipo. Pipo ria e Fofum subia um pouquinho, envergonhada.
Depois voltava. E ria de novo.
A tarde foi passando, toda dourada e quentinha.
Quando o sol começou a se despedir, Fofum fez um fof bem molinho, bem suavinho.
Era hora de ir.
Pipo acenou com a mão.
— Até amanhã, Fofum.
E a nuvem subiu, subiu, subiu, virou uma bolinha branca lá no alto, e piscou uma vez antes de sumir.
Pipo deitou na grama, olhando pro céu cheio de estrelinhas que iam aparecendo.
Ele estava feliz. Daquele jeito bom, tranquilo e quentinho por dentro.
E enquanto fechava os olhos, ainda sentia as cócegas de Fofum na bochecha.
Fof… fof… fof…
Boa noite, Pipo. Boa noite, Fofum. Boa noite pra você também.
