Nico e Bololô ficaram juntos no travesseiro macio.
Nico respirou de novo. Devagarzinho.
Bum.
Mais uma bolha saiu voando pelo quarto, redonda e cheia de brilho.
Ela passou perto da janela. Pegou um raio de luar e ficou ainda mais bonita.
Pop!
Sumiu.
Nico respirou de novo. E de novo. E de novo.
Cada bolha levava embora uma coisinha pequenininha que apertava o coração dele.
O quartinho estava cheio de bolhas agora. Elas flutuavam devagar, como se estivessem dançando.
Pop. Pop. Pop.
Uma por uma, elas sumiam no ar.
Nico foi ficando mais leve.
Os olhinhos dele foram ficando pesados.
Bololô se encostou nele com a barriguinha fofa.
— Tá vendo, Nico? Você já sabe o segredo.
— Qual segredo?
— Quando aparecer uma preocupação pequenininha, você respira fundo e deixa ela ir embora na bolha.
Nico piscou os olhos. Estava quase dormindo.
— Funciona mesmo, Bololô?
— Sempre funciona.
Nico abraçou o ursinho com força.
O quarto estava quieto e quentinho.
Cheirava a baunilha e a sono bom.
As últimas bolhinhas sumiram no teto.
Pop. Pop.
E Nico, bem aconchegado ao lado de Bololô, fechou os olhinhos e foi dormindo, dormindo, dormindo…
Zzzzzz.

