O jardim, antes colorido e cheio de vida, estava agora coberto por um nevoeiro cinza e gelado. As rosas mágicas murcharam, e a tristeza parecia pesar no ar. A Bruxa Ranzinza, com um sorriso de pura malícia, observava enquanto o príncipe Eduardo, a princesa Isabela e a Fada Alegria lutavam para enxergar um ao outro através da neblina.
— Agora sim, um verdadeiro final realista para essa história de conto de fadas! — zombou a bruxa, com os braços cruzados, satisfeita com o caos que causara.
Mas a Fada Alegria não se deixou abalar. Com um brilho no olhar, ela sabia que havia uma magia mais poderosa do que qualquer feitiço sombrio: a amizade verdadeira e o amor sincero.
— Escutem, príncipe Eduardo, princesa Isabela! — disse Alegria com firmeza. — Precisamos lembrar que a força do amor e da alegria pode vencer qualquer escuridão. Eduardo, fale com o coração. Diga o que sente!
O príncipe, mesmo tremendo de medo, respirou fundo. Ele se virou em direção à névoa e gritou:
— Isabela! Eu sei que mal a conheço, mas sinto em meu coração que você é especial! Eu quero conhecê-la, aprender a sorrir com você, descobrir suas alegrias e compartilhar minhas esperanças!
De repente, uma pequena brisa quente atravessou o jardim. A névoa começou a se dissipar devagar… e lá estava a princesa Isabela, com um sorriso tímido, tocada pelas palavras sinceras do príncipe.
— Eu… também sinto algo verdadeiro — disse Isabela, sua voz suave ecoando pelo jardim. — Nunca pensei que alguém pudesse enfrentar tamanha escuridão só para me encontrar.
Nesse momento, Bruxa Ranzinza ficou furiosa! — Não, não, não! — gritou ela, lançando uma última rajada de vento escuro.
Mas a Fada Alegria, com um movimento suave de suas mãos, invocou um arco-íris gigante que envolveu a bruxa em um círculo de luz quente e acolhedora.
— Ranzinza, você não precisa ser prisioneira dessa tristeza — disse a fada, com compaixão. — Você pode ser feliz. Está na hora de deixar o rancor de lado e sentir o verdadeiro poder da amizade.
Surpresa com tanta bondade, a bruxa sentiu algo diferente… uma pontada de emoção que não sentia há muito tempo. As nuvens negras em sua cabeça começaram a se dissipar um pouco. Um pensamento estranho passou por sua mente: E se… eu não precisasse ser tão amarga?
Alguns meses depois…
O castelo estava em festa! O príncipe Eduardo e a princesa Isabela estavam prontos para o grande dia: o casamento! O jardim mágico, agora mais belo do que nunca, estava repleto de flores coloridas e borboletas de papel criadas pela Fada Alegria, que enfeitavam o céu com suas cores brilhantes.
E quem estava lá, sentada em um lugar de honra (embora resmungando um pouco)? Isso mesmo, Bruxa Ranzinza!
Ela até tentou reclamar: — Humpf! Esse casamento vai ser um tédio… — mas, no fundo, havia um pequeno sorriso em seu rosto. Afinal, quem diria que ela acabaria recebendo um convite especial do próprio príncipe?
Durante a festa, a Fada Alegria se aproximou da bruxa e, com um olhar gentil, sussurrou:
— Viu? Até mesmo um coração ranzinza pode encontrar um pouco de felicidade. Quem sabe, no próximo baile, você não encontra alguém especial também?
Ranzinza apenas resmungou, mas, pela primeira vez, aceitou um pedaço de bolo de casamento… e quem sabe, talvez uma sementinha de alegria tenha começado a brotar em seu coração?