Dragão e Pedrinho

Pedrinho e o Dragão: Um Acordo de Amizade e Fogo – Parte I

No sertão bem distante, lá no alto do morrão,
Vivia um velho dragão, já sem fogo e sem ação.
Chamava-se ele Smaug, em tempos um destemido,
Mas agora só tossia, fraco e desvalido.

Foi-se o tempo de bravura, de lançar labaredão,
Hoje a chama se apagou, só restava a frustração.
“Que vergonha!”, ele pensava, “o terror virou fraqueza,
Vou morrer nesta caverna, sem poder, sem realeza…”

Mas no vale mais abaixo, num vilarejo escondido,
Havia um garoto esperto, corajoso e destemido.
Seu nome era Pedrinho, um menino sabedor,
Que aprendia com os velhos a curar qualquer ardor.

Na Vila dos Remédios, sabia-se a tradição:
Chás, raízes e folhas, tudo tinha solução.
E foi lá que o destino, feito um vento de trovão,
Fez Pedrinho encontrar-se com o velho dragão.

Certa noite enluarada, Pedrinho foi até a serra,
Queria achar um remédio, colhendo erva na terra.
Mas ouviu um som estranho, vindo lá da escuridão,
Era um rugido rouco, misturado à respiração.

Chegou perto, bem de mansinho, com receio e atenção,
E o que viu foi um bicho… mas em triste condição.
O dragão, outrora forte, deitava-se resfriado,
Com o nariz escorrendo e o olhar desanimado.

“Quem és tu, pequenino? Que faz aqui no meu lar?”
Smaug falou com fraqueza, mal podendo se mexer.
“Eu sou Pedrinho, senhor, vim as ervas procurar,
Mas vi que está doente, posso ajudar lhe curar!”

O dragão riu fraquinho, sem acreditar no fato,
Um menino, tão pequeno, curar um monstro tão alto?
Mas a febre estava forte, e o fogo se extinguia,
Então decidiu tentar… era sua última via.

E assim, na escuridão, nasceu uma aliança,
Entre um menino esperto e um dragão sem esperança.
Mas ainda faltava muito, a jornada só começava,
Pois o remédio sagrado só na vila se encontrava…

(Continua…)